sexta-feira, 14 de abril de 2017

Achados e perdidos.

Já passa da meia noite e toca uma musica querida que eu costumava ouvir durante as longas caminhadas sozinhas naquele país de língua esquisita. Eu lembro que fazia frio e eu me sentia sozinha. Mas eu caminhava e observava. Eu via as folhas amareladas pelo tempo, folhas da estação que mesmo sem conhecer, eu tinha elegido como minha. Eu via as pessoas caminhando, as ouvia, podendo entender uma ou duas palavras e me lembro de me perguntar em silencio, o que diziam. Falavam de amor? Falavam elas do tempo? Da vida? Eu gostava de imaginar. E continuava a caminhar, sempre escolhendo caminhos pelos quais não pisei e sempre observando tudo com um medo absurdo de esquecer. Hoje não lembro sequer o nome das ruas. 
Mas lembro como se estivesse lá, de ser abraçada por aquela solidão carinhosa e quente e mesmo distante, estrangeira, mesmo sendo a definição de saudade, me sentir em casa. Eu estava comigo. Era um tempo em que eu fui minha casa. Eu fui meu abraço preferido, eu fui meu amor, eu fui meu templo. Eu era minha. As vezes solitária, as vezes sozinha, as vezes entre amigos, pessoas queridas, mas sempre, sempre comigo. 
Se eu pudesse voltar no tempo, eu não mudaria nada. Eu teria me permitido mais uma vez aproveitar da solidão avassaladora que eu sentia quando caminha sozinha pelas tardes de inverno ou primavera, com aquela playlist tocando no ouvido e na alma. Eu me deixaria, novamente, entrar tímida, sem conhecimento, e pedir um doce desconhecido. E me arrepender. E pedir outro e outro, até que eu pudesse achar aquele favorito, que eu jamais imaginei comer, naquela padaria pequena e escondida, do senhor baixinho e carrancudo que não parecia falar uma virgula do mesmo que eu. 
E eu caminharia de novo, até aquele banco preferido, na frente daquele rio, e me deixaria pensar de novo sobre a vida, os amores, as saudades e tudo. E mais uma vez, eu me deixaria tentar olhar cada ponto, cada rosto, cada placa, com a certeza de que meu coração sentiria saudade. 
Se eu pudesse voltar, eu desejaria de novo chorar todas as lagrimas e sentir falta mais uma vez de mãos segurando as minhas, de ver os rosto dos meus pais, de sentir a dualidade entre estar insatisfeita e grata por aquela vida. 
Hoje, enquanto toca aquela musica que eu costumava ouvir na solidão daquele país estranho e lindo, eu percebo que enquanto me perdia e vagava, encontrei a mim mesma e estive comigo como em nenhum momento. E murmuro e relembro a mim mesma que não temo e não devo temer as mudanças de percurso, as paradas, os desvios, os despropósitos. Porque eu sei, que mesmo no pior dos caminhos, eu estarei lá, comigo. 

"With every small disaster
I’ll let the waters still
Take me away to some place real"

sábado, 1 de abril de 2017

Sobre amor, mais uma vez.

Mais uma vez e sempre venho aqui dizer do amor que espero. Do amor maduro e seguro que quero poder sentir entre meus dedos ao ter minhas mão entrelaçadas ao destino do outro. Do amor de paz que quero ao deixar meu olhar descansar sobre os muitos caminhos de um rosto que conhecerei além de mim mesma, que como insight de outra vida, terei reconhecido. 
Espero de um amor pra toda vida nada mais que amizade e carinho. Amizade de poder usar a franqueza e dizer "olha, olha aqui dentro de mim e conhece meus defeitos, meus piores defeitos e me conhece" e ter a certeza que o outro me aceita, assim, imperfeita. 
E com o carinho de quem ama eu quero errar, errar muito, varias e varias vezes, tendo a confiança mais tranquila do mundo que o meu amor me mostrará um jeito cheio de carinho de acertar, de que pra tudo no mundo há jeito, de que perdido só o tempo. 
Do amor da minha vida eu não espero nada além de respeito. Respeito e amor pelas diferenças de cada ponto de vista, pelas diferenças de crenças, pelas diferentes esperas do dia a dia. E eu espero. Um dia, eu saberei.