quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Para mim.

Não você não é nem metade do dizem. Você conhece seu coração e suas escolhas como ninguém, o que te da ao direito de você e apenas você fazer considerações sobre si mesma. Abra os olhos. Não deixe o medo e a infelicidade alheia dizer a você o que você é e como deve agir. Você não deve a ninguém sua vida, seu sorriso, seu jeito de ser. Seu orgulho é seu e cabe a nenhum deles lhe apontar o dedo e lhe dizer que esta errada, quando você sabe, como sempre soube, que tem direito a voz e ao riso, como qualquer pessoa. 
Você é mulher, você é linda e você é você. Com todas as escolhas de vida que vez, com todas as mãos que já apertou, os olhares que já trocou, as roupas que já vestiu. Por estar viva, você viveu como tinha que viver, fazendo escolhas e convivendo com elas, porque, meu bem, é a sua vida sendo vivida do jeito que você quer e não cabe a ninguém lhe dizer como agir. 
Tudo que você já fez e viveu construiu essa pessoa que você vê em frente ao espelho. Essa pessoa linda e gentil rodeadas de amor e amigos. Você tem o direito e o dever de se achar incrível. De se achar linda, de se orgulhar, de amar a si mesma, de se sentir bem com você. De sorrir abertamente, de sair livremente, de ser! 
Olhar o mundo em volta com orgulho da pessoa que é. Não tenha vergonha. Não tenha vergonha do que foi, do que é ou do que sonha ser. Não tenha vergonha nem mesmo daqueles que se julgam no direito de te dizer como você deve se sentir sobre si mesma. Seu corpo e sua voz são suas. E só a você sua felicidade pertence. 

Com todo amor de mim, 
D. 

“Some people feel the rain, others just get wet”

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Tenho andado fora de mim e acompanhado minha vida sendo apenas a sombra de um corpo que se move sem direção, sem condução. Vejo meu corpo sendo arrastado, saqueado, maltratado e não digo nada, porque sou apenas a sombra daquilo que um dia não cheguei nem a ser.  Não tenho voz porque não existo. Não vivo. E sobreviver é quase um fracasso diário, sem chegar nem ao menos perto de uma tentativa decente de ser. Os dias passam constantemente me ultrapassando, porque esse corpo inútil ao qual estou atada e obrigo-me a chamar de meu, se arrasta, carregado de fracassos. É difícil caminhar quando se tem anos de tristeza pesando sobre ombros que mal suportam o peso do mundo, quanto mais o peso de sua própria cabeça. 
Como sombra, apenas observo e absorvo a inutilidade, a incapacidade do corpo que perdura dias a fio sem razão de ser. Há dias que observo o corpo caminhar em direção a pequenos barulhos de humanidade, como se mesmo sem controle, algo dentro dele o fadasse a sobrevivência e me aflijo. Como sombra tenho medo de qualquer sinal de luz. Tenho medo de que as pequenas possibilidades de luz que me assombram sejam mais forte que eu e me obriguem a tomar posse, mais uma vez, desse corpo que sigo.
Não sou. Não quero ser. Não quero O ser. Quero apenas a invisibilidade da sombra. Onde observo e nada me atinge, porque nada sou.