Muitos dias eu não abria a janela, porque não fazia sol. Hoje fez. E quando abri a tal da janela um passarinho entrou. Tão pequeno e frágil e ao mesmo tempo tão ávido de tudo. Entrou com tanta pressa, como se desejasse a muito tempo o calor do meu pequeno quarto. Mas aqui dentro, agoniado, se debatia, de um lado a outro. Como sairia? Até que parou em cima do armário, olhou (acho eu que) cuidadosamente onde se encontrava, visualizou a janela, abriu as asas num impulso só e ganhou o mundo. Depois de cinco minutos do que parecia um sofrível desespero, ele conseguiu sair por onde havia entrado. E eu que apenas observava curiosamente a cena, me senti meio pássaro. Minha janela era maior, meu quarto era maior, mas eu não passava de um passarinho assustado num lugar estranho. Eu queria o vento. Eu queria o mundo. Eu queria asas. Mas no momento eu apenas me debatia, freneticamente, num espaço minúsculo dentro de mim mesma. Mas assim como meu passarinho e sua janela, hora ou outra eu pararia de gastar minhas energias inutilmente. Tudo que eu preciso é visualizar com calma minha janela. Minha saída. E sem medo, partir.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Do que foi.
Eu ando com saudade. E por incrível que pareça, minha saudade anda sem rosto. Sem nome. Sem cheiro. É uma saudade pura e simples, assim desse jeito, só. Uma saudade. Tão grande e tão mansa, que mesmo cheia de delicadeza me aperta o peito. Não é saudade do tempo especifico. Datada. É uma saudade estranha. Sem paredes. Ou portas. Ou grades. Uma saudade céu. Tão azul e infinita que me dói a vista, mesmo abrilhantando os olhos. É saudade, apenas.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Sobre como eu seria feliz num milésimo de segundo.
Eu queria desligar. Era pedir muito, deus? Desligar tudo por uma mísera fração de dois segundos. Um. Meio. O que tempo que me fosse permitido. Eu aceitaria tudo, qualquer pedaço de tempo, que pudesse me ser concedido. Desde que tudo parasse. Tudo. A cabeça, o coração, o corpo. Todo os fios que se ligam uns aos outros e movem essa maquina dramaticamente perturbada e psicótica chamada de Eu. E por alguns segundos, detrás do vidro sujo dos meus olhos, a alma dormiria quieta e profundamente. Sem batimentos. Sem pensamentos. Já não seria preciso ver a madrugada entrar pela janela do quarto enquanto a mente se inquieta pensando o que ele estaria fazendo. O que que ele estaria pensando? A vida dormiria. Por alguns segundos, o mundo poderia acabar. Explodir. Você, ele, qualquer outro, tudo. Tão desnecessariamente indispensáveis nesta vida, minha vida, vida? não seriam nada. Porque por alguns segundos, não existiria vida. Não existiria nada. Desligado. Imóvel. Em paz. O silencio do outro lado do mundo já não machucaria a boca que quer tanto falar. E por segundos, se juntaria ao silencio do escuro que é não sentir nada. E eu descansaria. Nada mais precisaria fazer sentido, ser entendido. A ligação que não veio. A resposta. A falta de carinho. Nada. Mesmo que por uma quantidade ínfima de segundos, não haveria saudade, não haveria amor, qualquer sentimento. Ou vontade. O sentimento de vazio que me não me deixa dormir. E eu, meu deus, eu dormiria. Incrivelmente cheia de nada por estar vazia de tudo.
Mas é pedir muito. Eu sei.
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